Meus cinco primeiros anos na fazenda- Muda.

Após minha mãe dar à luz, fomos para casa da vó Bastiana ( Sebastiana), na cidade Jataí, e depois voltamos para fazenda Macaúba. Antes de continuar minha história, vou contar o motivo que me fez escrever sobre ela.

Eu tenho visto e ouvido em televisão, várias pessoas psicopatas, criminosos mesmo, dentro da cadeia, fazendo livros, outros dizendo que irão escrever sobre suas vidas, como se elas estarão dando boas influências, motivações maravilhosas de vida, para matarem, assassinarem, dando sim, um grande exemplo de maldade. Não quer disser que tenho apenas boas influências, mas sou uma pessoa que estou lutando todos os dias para melhorar, e estar na vontade de Deus, lutando para ficar em pé ; assim estarei contando as falhas, qualidades, o que aconteceu para chegar em tal ponto, ou seja, as lutas, as vitórias, as alegrias, as frustrações, uma versão minha da minha vida, e como Espírito de Deus me ajudou, tem ajudado, e como vai continuar ajudando. Por que um psicopata escreve livros, é são vendidos aos milhões, ganham milhões com as misérias deles , e nós cristãs simples, não podemos escrever um livro do que Deus fez, está fazendo, e fará, com as curas emocionais, espirituais, e físicas que ele já fez?

Por que um psicopata é melhor recebido nas livrarias mundiais, e nós “seres normais” não podemos entrar nesta direção? Continuando minha história:

Como disse minha mãe, com 5 filhos pequenos (eu- apenas dias, irmão 10 meses de vida, irmã 3 anos, outra irmã 5 anos, irmão mais velho 6 anos), morando na fazenda, que ela não gostava de morar na fazenda, cuidando de cinco filhos pequenos, cuidando da casa, pai sempre no meio do pasto, cavalos, sempre ausente, sempre na correria de fazenda, onde ficamos morando até meus 5 anos.

Na verdade, sempre me sentia, desconectada desta família, era como eu fosse invisível (não sentia que me via ali no meio), não aceita, todos fazendo algo, não tinha aquele normal de mãe, beijar, abraçar, disser eu te amo, estou cuidando de você, ou pai correndo também piorou, nunca que eu me lembre não deu nem um beijo, carinho, atenção, eu te amo, nada.

Minha mãe dizia que eu chorava muito quando criança. E nas duas fotos que existem de bebê e criança, eu estava chorando.

Por volta de 1 ano, para piorar mais ainda minha relação, descobriram que eu não podia falar , pois minha língua era pressa.

Hoje pensando, digo, porque não me levou ao hospital de Jataí, e mandaram fazer está pequena cirurgia na língua?

Sempre existiu está operação simples, mas nada fizeram, nada mesmo.

Não fizeram.

E isto fez tão mal para mim, que só pouco tempo agora com 50 anos, descobri, o mal que é para uma criança de 1, 2, 3, 4, 5 anos, ficar sem poder falar.

Atrapalhou muitas coisas na minha vida toda, que agora sabendo, me organizo emocionalmente, e saiu dos embaraços, com a ajuda de Deus.

Eu já me sentia fora da família, quando não pude falar com meus irmãos e irmãs, nós não formamos uma conexão real de irmãos, normais.

Isto com certeza, da minha parte, como acho que da partes deles também, não formaram uma relação de irmãos, de família.

Só piorou mais minha situação de conexão com minha família, sendo muda.

Mas inda sentia como estava fora do círculo da família, eu tentando entrar sempre, e fora deste círculo eu só observava “calada” …

Com está situação, eu sempre chorava muito mesmo, ficava com muita raiva, tudo me irritava, ficava furiosa, por não poder falar direito, e ninguém entender, das risadas quando falava errado, e tudo.

Com o tempo minha mãe começou entender algumas coisas que eu falava, com os gemidos.

Assim, cresci na fazenda sozinha, na maioria das vezes, brincava no quintal, fazendo comida no fogão que fiz de pedra, sentava ali, conversava fazendo de conta que tinha alguém, na cozinha de mentira, sala de mentira, debaixo da árvore de manga.

Não me sentia participante, integrada, incluída, na minha família, e só piorou mais ainda, quando não pude falar direito.

Apenas minha mãe, entendia um pouco meus gemidos, mas isto quando ela tinha tempo, para me ouvir.

Este vazio da solidão, silêncio, de não poder falar, me fez ser uma pessoa que gosta da solidão, mas Deus diz que isto não é bom…

“E isto tem sido minha luta diária, de estar com os irmãos da igreja, amigos do judô, amigos do trabalho, e sair com minha amigas da igreja, sempre lutando, para estar junto com alguém.”

Lembro vagamente mas lembro, uma vez, que estava quase andando, sentei debaixo da mesa, como não tinha ninguém, fiquei por ali sozinha. Foi quando alguém gritou para mim, e disse:

– Maria Simone não se mova, vem para perto de mim!!

E eu fui . Só depois descobri, que tinha uma cascavel ( cobra venenosa) do meu lado, dentro da cozinha da fazenda. Como era uma criança, não sei a idade, achava que era brinquedo, debaixo da mesa.

Imagina um bebe, depois uma criança, com sentimento de solidão profunda, não podendo falar, muda, mas não sabia o que era, que era isto que me fazia chorar muito mesmo…

Chorava muito, e isto afastava mais ainda, todos da minha família!

Ou seja, lá vem minha irmã chorona, brava!